Cantora nova, cara nova, música boa

 

Ouvir um CD inteiro é estranho para muitos hoje, mas é uma viagem interessante, porque você mergulha na trilha de um filme pessoa: o momento do artista. Penetra no mundo abstrato das sonoridades e ideias das íntimas envolvidas no projeto do CD. Então, já que hoje está mais fácil, é possível fazer isso pelo Youtube ou por alguma rádio online, se for incômodo lidar com aquele velho artefato arranhável. Eu escutei muito o primeiro disco de Marana Aydar, aquele CD que tem o apelido dela, Kavita, por uma rádio online. Sambas clássicos conduziam a musicalidade. Neste mês de setembro, ela lançou um novo CD, intrigante, comparado ao primeiro. Melodias calcadas na música brasileira, arranjos muito ricos, letras não-lineares, onde o que parece jogo de palavras é um estado poético que ela e o parceiro procuram onde podem - nos timbres, nas imagens, nas melodias. Não se pode querer independência da letra em relação aos arranjos, porque o jogo interessante é essa combinação, que é non-sense às vezes. Arranjos, melodia e palavras compõem o todo, que na junção de elementos essenciais, geram curiosidade. A interpretação é intensa, vívida. Artisticamente ela tem bases sólidas, com vivência intensa no forró ao jazz. 

Seu modo de falar é sempre muito sensual e mostra uma força de vontade de estar em sintonia com causas místicas e filosóficas mais amplas. Conheci o samba-jazz  "Menino das Laranjas" na sua interpretação, e depois garimpei Elis Regina interpretando. E vi que na época, ela colocava a força da mestra na canção. Hoje ela está contida, com um estilo  de canções quase faladas às vezes. É bem legal ver uma artista que pesquisa em todas as frentes, a partir da sua sensibilidade, conseguir produzir um trabalho gostoso que dá margem a grandes músicos atuarem juntos

 

 

 

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